quarta-feira, julho 04, 2007

Falar por falar


A política americana no mundo sempre se caracterizou pelo desprezo de tudo que não fosse da sua área de influência.
Pergunto se não será já tempo de a União Europeia – a tão desejada União-passar a agir como um todo, com voz própria, analisando autonomamente e mais de perto o interesse nacional, o mundo livre e os princípios que os EUA dizem professar.
Será a guerra no Afeganistão uma guerra religiosa?
O ex-pugilista Mohammed Ali, ao ser interrogado quanto ao facto de partilhar a mesma religião com Bin Laden, retorquiu: «E o senhor, como é que se sente ao partilhar a mesma religião com Adolf Hither?»
Recordo aqui que o atentado de Oklahoma foi realizado pelo americano-cristão - herói da Guerra do Golfo, Timothy McVergh.
- O que faz a Grã-Bretanha nesta guerra?
A propósito do Governo Britânico que na altura apoiou os EUA na guerra do Vietename, uma das mais eminentes figuras do século XX, a quem o «Observatore Romano» se inclinou «perante o seu envolvimento sem reservas à causa da dignidade humana». Bertand Russell deixou escrito na sua obra «Crimes de Guerra no Vietname»: «Quando comparo os horrores da guerra do Viatename com o manifesto eleitoral do Governo Trabalhista, deparo com a mais vergonhosa traição cometida neste país, em tempos modernos. Hitler, ao menos, raramente se fingia humano; mas estes homens – que agora conspurcam o poder – fingem professar, antes das eleições, os mais nobres e puros ideais da fraternidade humana.»
Recordo, também, o que o embaixador Franco Nogueira (antigo ministro dos Negócios Estrangeiros de Salazar) me confidenciou, nos seus tempos de professor universitário: «Em política externa tudo o que parece não é.»
Concluo, muitos anos depois, do que tenho lido e ouvido: o conflito no Afeganistão, para além do que nos é dado saber e entender, dele nada ou quase nada conhecemos.
Quanto à acção retaliadora anglo-americana, interrogo-me se ela estará carregada dos tais valores humanistas, ditos ocidentais. Será que não?
Há poucos anos atrás os EUA transformaram o Paquistão e o Afeganistão num dos maiores produtores mundiais de droga.
Dir-me-ão os leitores que não foram os americanos que deram ordem para plantar ópio, mas sim os mujahedines.
Será, mas eu lembro-me do argumento apresentado por um nazi que dizia não ter morto um único judeu, tendo apenas fornecido os camiões.

in: Acção Socialista, 2001

2 Comments:

Blogger ..::Sensível Aroma::.. said...

Olá!
Gostaria muito de saber, se tu és
o autor do poema: "Quem são?"
Pois recebi este poema só com o nome: "Carlos Carranca"..
Muito grata pela sua atenção.

Abraço.

5:08 da tarde  
Blogger Red said...

Caro Professor Carranca, é com muito gosto que encontro o seu Blog, de certo o Professor não se recorda de mim, mas fui seu aluno e da sua esposa na secundária Ibn Mucana, actualmente sou aluno de sociologia na Lusófona, onde sei que também é docente, enfim... não fosse o blog do Professor Manuel Antunes e não iria descobrir o seu Blog, o qual vou imediatamente colocar na lista de Links da webpage dos alunos de sociologia da lusófona.

Despeço-me então com um poema da minha autoria, que se enquadra um pouco na temática deste seu Post.

Ilusão

Mil ideias dispersas
Sete palmos de terra
Doze portas abertas
Um só mundo em guerra

Um só era um vulto
A quem muitos prestam culto
De cem divas mutiladas
Na cidade das almas penadas

Na corrente do rio das almas
Com aguas que não são calmas
Ergueu-se a dita serpente
E dizia como quem mente

Eu sou o Ser, que sem ser sou...
Sou homem, mulher e gente
Sou o profeta de que se falou
Te dirão que sou serpente...

Eu te digo então
Malditos os mitos
Que sem ser são
Os prantos aflitos
De uma multidão

Acorda ignóbil Ser
Abre os olhos para ver
Mostra discernimento
Deixa de ser um jumento....

Que eternamente vivas em pranto
Sem calma, sem paz, sem descanso
Porque olhaste para onde te disseram
Fizeste as guerras que te mandaram.

Para e pensa desgraçado
Mete o preconceito de lado
Da resposta faz a questão
Para que não te enganes na ilusão

(Gonçalo Rodrigues)

3:50 da tarde  

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