quinta-feira, abril 22, 2010

Fernando Nobre na Escola Profissional de Teatro de Cascais







Um Humanista

Vivemos numa era de trevas. Vivemos numa era de cataclismos. Vivemos numa era de fome. Vivemos numa era de guerras. Vivemos numa era em que o terrorismo e o fanatismo se tornaram palavras usuais.
Devemos aceitar o tempo que vivemos ou modificá-lo? Devemos conformar-nos ou elevar mais alto a palavra liberdade? Estará a palavra cidadania sujeita a algum acordo ortográfico ou podemos continuar a dizê-la da mesma maneira, e a senti-la como primordial nesta nossa era?
Depois de termos relembrado Zeca Afonso, tivemos agora o prazer, na Escola Profissional de Teatro de Cascais, de receber o doutor Fernando Nobre, e se há palavra que possa caracterizar este Homem, ela é muito simples: humanista.
Fernando Nobre é um homem que pertence a esta era mas que está pronto a construir outra, mas outra que não rejeite esta que vivemos, uma que nasça daquilo que já temos, das bases que criámos. Um homem de espiritualidade mas que observa o futuro com reservas. Fernando Nobre não olha para a multidão, mas os seus olhos fixam-se quando se trata de encarar apenas uma pessoa, no seu olhar lê-se a singularidade e na sua mente é nítida a pluralidade. Estamos perante um Homem que fala dos perigos do terrorismo e dos proventos que daí advêm para a classe política, que fala de Jerusalém como uma terra que deve ser Universal e não tomada por fanatismos religiosos, que olha para o mundo a longo prazo e sabe que a fome vai ser sinónimo de guerra daqui a vinte anos. Mas estamos também na presença de um Homem que vê na juventude uma forma de fugir a cenários pré-programados, um homem que vivendo nesta era de trevas, vê na palavra Amor a única forma de dar uma nova aurora a este mundo. A palavra liberdade e cidadania devem andar de mãos dadas, e está nas mãos das populações o futuro do nosso Mundo. Os governos têm de parar para ouvir o povo quando o som que este faz se torna ensurdecedor (e não podemos duvidar da força que ainda têm o povo).
Fernando Nobre candidata-se à Presidência da República porque não se resigna a ser um mero observador da nossa sociedade, quer tomar partido e ser uma voz activa, não está disposto a esconder-se na sua personalidade, antes pelo contrário, ela é tão vincada que têm de ser mostrada (e não nos podemos esquecer do seu grande trabalho humanitário como presidente da AMI).
Fernando Nobre faz-nos pensar naquilo que é um humanista nestes tempos modernos, e prova que ainda vivemos uma era em que é possível eles existirem.
Foi uma grande plateia de alunos, e também de professores, aquela que ouviu Fernando Nobre nesta tarde de 21 de Abril.
Ainda existem idealistas nesta nossa era, valha-nos isso.

Renato Pino
Finalista da Escola Profissional de Teatro de Cascais